Fatores de Risco do cancêr de boca

No Brasil, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estimativas de casos novos de câncer da cavidade oral para o ano de 2012 /13 são de 14.170 casos, sendo 9.990 casos no sexo masculino e 4.180 casos no sexo feminino, correspondendo ao quinto tipo mais freqüente de câncer nos homens e ao décimo primeiro nas mulheres.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento destas neoplasias são o consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas. Cerca de 75% dos pacientes com este tipo de câncer consumiam tabaco e álcool. Outros fatores já descritos, mas menos importantes que o consumo de tabaco e álcool são: exposições profissionais a alguns agentes considerados carcinogênicos (como metais pesados, álcool isopropílico, entre outros), má higiene bucal, consumo de mate (> 3 cuias ao dia), e, mais recentemente, infecção pelo vírus HPV (vírus do papiloma humano), principalmente em indivíduos jovens (abaixo de 45 anos).

Sinais e Sintomas do cancêr de boca

Os sinais e sintomas dependem da localização e tamanho das lesões. Os tumores de boca geralmente se manifestam como lesões ulceradas (feridas) de aspecto infiltrativo, ou nódulos, que não cicatrizam e que apresentam crescimento progessivo, podendo evoluir com dor e sangramento se não tratados (figura 1 e 2). Em vários pacientes o diagnóstico é feito a partir da presença de linfonodomegalias (nódulos) no pescoço, que crescem progressivamente.

Diagnóstico e estadiamento do cancêr de boca

A biópsia se faz mandatória para o diagnóstico definitivo. Existem outras patologias que podem mimetizar um câncer de boca mas não são, como infecções fungicas como a blastomicose.
Para realizar uma melhor avaliação da extensão da doença (estadiamento), geralmente são utilizados exames de imagem, como a tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética. Estes exames propiciam uma melhor avaliação da invasão profunda e de outras estruturas adjacentes, permitindo um melhor planejamento terapêutico. O papel do PET-CT (exame que associa a imagem de uma tomografia com uma imagem funcional através de glicose marcada com radiação) como ferramenta para estadiamento inicial ainda permenece controversa.
Outros exames podem ser realizados de acordo com cada caso, como endoscopia digestiva alta, tomografia de tórax e abdômen.

Tratamento do cancêr de boca

Na maioria dos casos, o tratamento será cirúrgico, de forma isolada (casos iniciais), ou combinado com radioterapia ou quimio-radioterapia (casos mais avançados). O tratamento sempre é direcionado tanto para o controle da lesão primária, como para o pescoço, pois a maioria dos pacientes com câncer de boca apresentam disseminação para linfonodos cervicais.
Durante a cirurgia, é muito importante o controle das margens de ressecção, as quais podem ser confirmadas através de exame anátomo-patológico de congelação. Sempre que se faz grandes ressecções cirúrgicas no tratamento das neoplasias orais, a reconstrução imediata é essencial para reparar o defeito cirúrgico e proporcionar uma melhor reabilitação dos pacientes, tanto funcional quanto estética.
A realização da cirurgia por equipe experiente, seguindo-se os preceitos oncológicos, principalmente em relação ao controle das margens de ressecção, são fatores essenciais para o sucesso terapêutico.