O governo federal publicou no Diário Oficial do dia 2 de junho, decreto que regulamenta a nova Lei Antifumo. Dentro de 180 dias, os fumódromos em quaisquer ambientes fechados serão oficialmente banidos em todo o País.

A Lei inclui “os cercadinhos” das casas noturnas, o uso de produtos de tabaco em paradas de ônibus e o aluguel dos aparelhos de narguilé em bares. Também estão proibidos os chamados “displays”, comuns em lojas de conveniência e bares, para a venda de cigarros e há a obrigação, a partir de 2016, da exposição de alertas do Ministério da Saúde também na parte frontal das embalagens.

Mas o que isso tem a ver com o câncer de laringe?

O tabaco e o álcool são os maiores inimigos da laringe. Fumantes têm 10 vezes mais chances de desenvolver câncer de laringe. Em pessoas que associam o fumo a bebidas alcoólicas, esse número sobe para 43. Má alimentação, estresse e mau uso da voz também são prejudiciais.

O câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e pescoço, representa cerca de 25% dos tumores malignos nesta área e 2% de todas as doenças malignas. Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem nas cordas vocais, mas podem aparecer também acima das cordas vocais (supraglótico) ou abaixo, no início da traqueia.

Estima-se para 2014 cerca de 7.640 novos casos, sendo 6.870 em homens e 770 em mulheres.

Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e a beber têm probabilidade de cura reduzida e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor na área de cabeça e pescoço

E a Laringe…

A laringe está localizada na região do pescoço, entre a quarta e sexta vértebra cervical, conectando a faringe à traqueia.

É composta por cartilagens revestidas de uma membrana mucosa e as dobras da membrana mucosa dão origem às pregas (ou cordas) vocais.

Dentro do sistema respiratório, a laringe é a principal responsável pela reprodução da voz, pela passagem de ar e pelo bloqueio da entrada de alimentos no pulmão.

Como saber se é Câncer de Laringe?

O sintoma mais comum é a rouquidão persistente e sem causa aparente. Ela é diferente da rouquidão relacionada ao esforço vocal ou à laringite ligada a processos gripais, pois não vem acompanhada de febre ou dor, é progressiva e persiste. Outros sintomas são a dificuldade para engolir, dor de garganta constante, falta de ar, caroços no pescoço, mau hálito, perda de peso e tosse.

Nas pessoas que já tem a voz mais rouca, a piora deste sintoma ou a modificação da voz pode indicar alguma alteração nas cordas vocais, que pode estar relacionada a este câncer.

Quando uma pessoa sente um dos sintomas acima (principalmente se é fumante e usa regularmente bebidas alcoólicas) deve procurar um médico de sua confiança. Este médico fará um exame físico de sua garganta (por dentro) e do seu pescoço.

O melhor diagnóstico é pela laringoscopia – exame no qual se coloca um espelho ou um aparelho de endoscopia próprio para a garganta, a fim de detectar alguma alteração que explique o que o paciente está sentindo.

Caso alguma alteração seja encontrada, uma biópsia (retirada de um pequeno pedaço do revestimento da laringe ou da lesão) será realizada para poder fazer um exame mais detalhado em um laboratório de patologia.

Se o diagnóstico de câncer for confirmado, o médico encaminhará o paciente para um local onde se tratam pacientes com câncer e mais exames serão realizados para se avaliar a extensão da doença. Estes exames podem incluir tomografias computadorizadas e exames de sangue.

Mas há tratamento e cura?

O tratamento depende de vários fatores, tais como: a extensão da doença (se espalhou para os gânglios do pescoço ou outros órgãos), a localização do tumor, a idade e condições de saúde do paciente.

O objetivo principal do tratamento é evitar cirurgias que retirem toda a laringe, porque isso leva o paciente a não poder mais falar normalmente.

Os tratamentos geralmente usados são cirurgias parciais, radioterapia e quimioterapia, ao mesmo tempo ou em sequência.

O tumor é examinado após o tratamento para confirmar que desapareceu. Neste caso, não é necessário fazer a cirurgia de retirada do órgão e o paciente continua a falar de forma natural. Caso o tumor não desapareça, ou volte, ainda assim pode-se fazer uma cirurgia para retirar o tumor e neste caso, na maioria das vezes, a laringe com as cordas vocais são retiradas e o paciente não pode mais falar por via natural. Aparelhos são desenvolvidos para o paciente se comunicar e isso é importante para a manutenção da qualidade de vida do paciente e de sua vida social.

Quando as lesões são detectadas em estado inicial, o câncer de laringe tem uma chance de cura acima de 90%. Em casos avançados, a possibilidade de cura cai pra 40%.

Continuar fumando e bebendo bebidas alcoólicas durante e após o tratamento diminui a chance de cura, além de aumentar a chance de o tumor voltar ou de ter outro câncer na região da cabeça e pescoço ou de outra parte do corpo.