O câncer de laringe atinge entre 8 mil e 10 mil pessoas por ano no Brasil, o que o torna o oitavo tipo de câncer mais comum nos homens em nosso pais. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e do pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos identificados nessa área.

A laringe é um órgão responsável pela produção da voz e pela proteção das vias respiratórias. Por isso, um tumor nesse órgão pode afetar tanto a voz, quanto a deglutição e a respiração de uma pessoa. Um tumor na região das cordas vocais vai causar algum grau de rouquidão. Rouquidões persistentes e progressivas são sinais de alerta para esse tipo de doença. Além de rouquidão, a pessoa pode ter dificuldades para engolir.

Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem na corda vocal verdadeira e 1/3 acomete a laringe supraglótica (ou seja, localizam-se acima das cordas vocais).

O câncer de laringe geralmente responde muito bem ao tratamento, sendo grandes as chances de cura total, principalmente se detectado em fases precoces. A taxa de cura nos casos iniciais são acima de 80-90%, sendo que, em 70% dos casos, a laringe é inteiramente preservada.

Nos casos de laringectomia total, as chances de cura total do câncer caem para cerca de 50% dos casos.

Fatores de risco do Câncer de Laringe

Especialistas apontam que há uma clara associação entre a ingestão excessiva de álcool e o vício de fumar, com o desenvolvimento de câncer nas vias aerodigestivas superiores. O tabagismo é o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe.

Quando a ingestão excessiva de álcool é adicionada ao fumo, o risco aumenta para o câncer supraglótico. Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e beber têm probabilidade de cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor primário na área de cabeça e pescoço.

A poluição também tem sido implicada como um potencial fator de risco, assim como refluxo gastro-esofágico.

Sintomas de Câncer de laringe

O primeiro sintoma é o indicativo da localização da lesão. Assim, odinofagia/disfagia (dor para engolir/dificuldade para engolir) sugere tumor supraglótico e rouquidão indica tumor glótico.

O câncer supraglótico geralmente é acompanhado de outros sinais e sintomas como a alteração na qualidade da voz, disfagia leve (dificuldade de engolir) e sensação de um “caroço” na garganta.

Nas lesões avançadas das cordas vocais, além da rouquidão, pode ocorrer dor na garganta, disfagia e dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar).

Tratamento de Câncer de laringe

Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior é a possibilidade de o tratamento resultar em menores taxas de complicações e sequelas, como deformidades físicas, alterações funcionais (fala, deglutição) e problemas psicossociais.

Além dos resultados de sobrevida, considerações sobre a qualidade de vida dos pacientes entre as modalidades terapêuticas empregadas são muito importantes para determinar o melhor tratamento.

Entretanto, mesmo em pacientes submetidos à laringectomia total, é possível a reabilitação da voz através da utilização de próteses específicas.

De acordo com a localização e estágio do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia, havendo uma série de procedimentos cirúrgicos disponíveis de acordo com as características do caso e do paciente.

Em alguns casos, com o intuito de preservar a voz, a radioterapia pode ser selecionada primeiro, deixando a cirurgia para o resgate quando a radioterapia não for suficiente para controlar o tumor.

A associação da quimio e radioterapia é utilizada em protocolos de preservação de órgãos, desenvolvidos para tumores mais avançados. Os resultados na preservação da laringe têm sido positivos. Da mesma forma, novas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas permitindo a preservação da função da laringe, mesmo em tumores moderadamente avançados.