Certamente você já ouviu falar ou sabe de alguém que já teve câncer na tireoide.
A cada ano, aparecem aproximadamente 140.000 novos casos em todo o mundo, sendo este um dos poucos tipos de câncer com número crescente, mesmo sendo o de menor incidência. No Brasil, são estimados cerca de 9.000 novos casos para 2014.

Os únicos fatores de risco comprovados cientificamente como causa do câncer de tireoide são o histórico familiar de câncer de tireoide (alguém da família, principalmente parentes de primeiro grau) e a exposição à radiação ionizante – principalmente em pessoas que já foram submetidas a uma radioterapia na cabeça, no pescoço ou no tórax, principalmente se esta exposição tenha sido na infância, idade em que a glândula fica mais susceptível aos efeitos da radiação.

Antes de 1960, a radiação era usada para diminuir amígdalas (adenóides) ou para tratar diversos problemas de pele, como a acne. Porém, o câncer de tireoide pode surgir em qualquer pessoa.

Mas você conhece a tireoide?

A tireoide é uma glândula pequena (cerca de 20 gramas apenas), tem a forma parecida com a de uma borboleta. Fica na parte da frente e inferior do pescoço, logo abaixo do “Pomo de Adão”.

A glândula tireoide fabrica, armazena e libera hormônios – T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) – que servem como combustível para o corpo humano. Sua função é de grande importância no controle do metabolismo do organismo e seus hormônios atuam no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, interferem no ciclo menstrual, fertilidade, sono, memória, no humor, em batimentos cardíacos, funcionamento intestinal, força muscular e controle de peso.

Funcionamento da Tireoide

A glândula funciona da seguinte maneira:

Se há hormônio tireóideo suficiente no sangue, ela para de funcionar. Quando o corpo necessita de mais hormônio, a glândula recomeça a produzi-lo novamente.

O iodo é o mineral que tem papel fundamental para a produção dos hormônios da tireoide.

Em algumas situações a glândula tiroide não executa seu papel corretamente, e o nível de hormônios é liberado de forma inadequada, o que pode acarretar diversos problemas:

Hipertireoidismo:  É o excesso na produção dos hormônios tireóideos e todo o nosso corpo começa a funcionar muito mais rápido. Esse excesso é causado, muitas vezes, pelo também excesso de iodo na alimentação, ou por diversas outras doenças da própria glândula tireóide. Há aumento de apetite, o coração dispara, há perda de peso, intestino solto, insônia, a pessoa fica agitada (mas ao mesmo tempo sente-se cansada), tem os cabelos e unhas enfraquecidas, tremores e intolerância ao calor.

Hipotireoidismo: Acontece exatamente o contrário, a produção dos hormônios diminui e o corpo fica muito lento.  A diminuição do metabolismo geral causa sonolência, cansaço, redução de memória e raciocínio, aumento dos níveis de colesterol no sangue, queda da libido, o intestino fica “preso”, além de queda de cabelo, desânimo e depressão. Os batimentos cardíacos sofrem desaceleração e constantes dores musculares.  Também acontece ganho de peso, que pode chegar a 10% do peso corporal (mas dificilmente leva à obesidade).

Bócio: este termo designa qualquer aumento que houver na glândula tireoide, o qual pode ser difuso ou nodular. É caracterizado pelo aumento no volume da tireoide e pode ocorrer, tanto no hipotireoidismo como no hipertireoidismo. Este aumento pode ser devido a nódulos, doenças inflamatórias (tireoidites) ou aumento difuso da glândula, mas pode ser detectado, através do exame físico.

Tireoidite subaguda: ocorre com menor frequência e é caracterizada por uma inflamação, geralmente provocada por vírus, que ataca algumas células da tireoide.

Tireoidite crônica auto-imune (doença de Hashimoto): é uma das doenças inflamatórias mais comuns da glândula tireoide, sendo uma doença autoimune, descrita pela primeira vez em 1912 pelo médico japonês Hakaru Hashimoto. Ela se caracteriza pela presença de anticorpos anormais direcionadas contra a própria tireóide, resultando em longo prazo na destruição das células da tiroide e na destruição dos folículos, sendo uma das principais causas de hipotireoidsmo.

Nódulos da Tireoide: Um dos problemas mais frequentes, mas que não apresentam sintomas. Estima-se que 60% da população brasileira tenham nódulos na tireoide em algum momento da vida, o que não significa que sejam malignos. Estima-se que apenas 5% dos nódulos possam ser  malignos.

Uma vez identificado o nódulo, o médico solicitará uma série de exames complementares para confirmar ou descartar a presença do câncer.

Disfunções na tireoide podem acontecer em qualquer etapa da vida e são de simples de se diagnosticar. Além disso, elas podem ocorrer mesmo sem o bócio.

No próximo artigo, informaremos os tipos de câncer de tireoide, como são diagnosticados e como prevenir.

Aguardem!