Cirurgia de tireoide neste momento de pandemia por Covid-19

Em decorrência da pandemia que vivemos atualmente, muitas cirurgias eletivas têm sido postergadas, incluindo a maioria das cirurgias da glândula tireoide.

Principais motivos do Covid-19 que são baseados em estudos muito recentes que mostram:

  • Pacientes operados em vigência de infecção por Covid-19 (mesmo em pessoas assintomáticas, ou seja, sem nenhum sinal de gripe/resfriado, mas que provavelmente estão na fase de “incubação” da doença) apresentam maior risco de complicações, principalmente se são idosos, se apresentam comorbidades (outras doenças como diabetes, hipertensão, enfisema, outras) e se são submetidos a cirurgias mais prolongadas (duração acima de 3-4 horas);
  • Risco do paciente ser exposto e contrair o Covid-19 por se deslocar e permanecer internado em ambiente hospitalar;
  • Risco das equipes médicas e dos profissionais envolvidos no tratamento cirúrgico (enfermeiros, auxiliares e instrumentadores) de adquirir o Covid-19, pela maior exposição destes profissionais durante as cirurgias (geração de aerossóis pelos procedimentos e alguns instrumentos cirúrgicos).

 

Desta forma, é recomendado que as cirurgias de tireoide sejam postergadas, até um momento de maior segurança para os pacientes e profissionais da saúde, pois na maioria dos casos, as patologias tireoidianas são de evolução lenta e favorável.

Exceção a esta recomendação de adiamento das cirurgias seriam aqueles casos que apresentam evolução mais agressiva, como os casos com sinais de doença loco-regional avançada (metástases linfonodais ou doença localmente invasiva – invasão de traqueia, esôfago ou demais órgãos adjacentes), os casos com metástases a distância, casos de carcinoma medular e casos com compressão de vias aéreas.

Cada caso deve ser individualizado e discutido entre o cirurgião responsável e o paciente sobre a melhor estratégia de condução, baseado nas informações expostas acima.

Para os casos postergados, um exame de imagem de controle deve ser feito em dois a três meses para monitorar a evolução da doença e decidir por eventual mudança de estratégia.

 

2020-04-15T16:22:28+00:00