Cirurgia Robótica em Cabeça e Pescoço

Cirurgia Robótica em Cabeça e Pescoço 2020-04-30T20:23:50+00:00

O cirurgião comanda tudo, o robô apenas executa

Diferente do que o nome pode sugerir, a cirurgia robótica não é feita por robôs. Na verdade, o robô cirúrgico não faz nada sozinho: não opera, não decide. Quem faz a cirurgia é o cirurgião. É ele quem dá os comandos e manipula este sistema avançado. O robô é um instrumento cirúrgico com tecnologia de última geração guiado pelas mãos habilidosas do especialista.

O robô é controlado pelo cirurgião através de um console.

Os braços do robô replicam os movimentos realizados pelas mãos do cirurgião com extrema precisão e delicadeza, executando, inclusive, alguns movimentos e alcançando locais que a mão humana não conseguiria.

O equipamento possui câmeras que permitem a visualização de imagens reais em 3D. O cirurgião tem, portanto, imagens em full HD, maximizadas em até 10 vezes. Durante o procedimento, o cirurgião consegue enxergar detalhes e minúcias em tempo real enquanto manipula pinças e braços robóticos.

Tudo muito mais preciso e seguro.

A cirurgia robótica (ou assistida por tecnologia robótica) representa um grande avanço tecnológico desenvolvido nos últimos anos, que propiciou a realização de procedimentos menos invasivos nas diversas especialidades, com evidência na literatura de várias vantagens, como: menor morbidade cirúrgica, menor dor pós-operatória, menor tempo de internação, e com uma melhor e mais rápida reabilitação que as abordagens convencionais para determinadas patologias e subsítios, incluindo alguns tumores em cabeça e pescoço.

Atualmente, na especialidade de cirurgia de cabeça e pescoço, a tecnologia robótica pode ser utilizada por via transoral ou cervical.

A via transoral

A via transoral (Transoral Robotic Surgery – TORS) pode ser empregada para o tratamento de tumores benignos e malignos da orofaringe, laringe, hipofaringe e espaço parafaríngeo. Nestas topografias, o acesso robótico transoral pode oferecer a vantagem de se realizar cirurgias menos invasivas com menor morbidade. Como exemplo, podemos citar os tumores de orofaringe de difícil visualização pela via oral, que muitas vezes necessitavam da realização de mandibulotomias (secção da mandíbula e lábio para acesso cirúrgico) para proporcionar uma melhor visão para a realização da ressecção com margens adequadas. Geralmente os pacientes submetidos à TORS  não necessitam de traqueostomia e sonda para alimentação, e nos poucos casos necessários, geralmente são por tempo bem mais curto comparado aos acessos convencionais

Outra aplicabilidade da cirurgia robótica é o uso para a realização de cirurgias cervicais através de acessos remotos, como a via retroauricular. Nestas circunstâncias, a vantagem maior seria estética e funcional, com cicatrizes menos visíveis, menor repercussão na drenagem linfática cutânea com menor formação de linfedema. Ela tem sido empregada em casos selecionados de esvaziamentos (linfadenectomias) cervicais, ressecção de tumores de glândula submandibular ou outros tumores benignos (como o paraganglioma carotídeo), e também em alguns casos de tireoidectomia.

Como qualquer técnica cirúrgica, a utilização de tecnologia robótica não afasta o risco de ocorrência de complicações pós-operatórias, como sangramento, infecção, fístulas, estenoses, entre outras. Porém, a evidência da literatura não mostra taxas maiores de complicações, ou seja, não se acrescenta riscos aos procedimentos, desde que seja realizada por cirurgiões treinados e para os casos corretamente selecionados.

Na atualidade, temos realizado a cirurgia robótica transoral (TORS) para casos selecionados de tumores de orofaringe, laringe supraglótica e parafaringe, assim como acessos cervicais remotos assistidos por tecnologia robótica para casos selecionados de tumores de tireóide, glândula submandibular, paraganglioma carotídeo, esvaziamentos cervicais e outros tumores benignos menos freqüentes.