Cirurgia robótica transoral é o nome dado ao uso da assistência de um robô cirúrgico para remover um tumor da boca ou garganta. Na TORS, os braços do robô são estrategicamente colocados dentro da boca do paciente. O cirurgião senta-se em um console longe do paciente e pode controlar os braços do robô enquanto está sentado em seu console. Um assistente senta-se na cabeceira da cama do paciente para ajudar sempre que seja necessário. A principal vantagem é permitir que o cirurgião acesse, através da boca, áreas que suas mãos e sua visão direta provavelmente não poderiam alcançar, evitando que acessos cirúrgicos mais extensos e agressivos sejam necessários.

Uma alternativa a um procedimento de TORS é o procedimento de Microcirurgia com Laser Transoral (TLM), que pode ser usado para as mesmas indicações, porém com o laser não se dispõe de muitas opções de posicionamento e movimentos em todas as direções como acontece com o uso do robô. Tanto a TORS como a TLM são técnicas diferentes para realizar a cirurgia através da boca. Eles permitem o acesso a partes da região da cabeça e pescoço que de outra forma poderiam exigir maiores operações com maiores riscos e sequelas pós-operatórias. No entanto, essas técnicas minimamente invasivas, como elas são chamadas, só devem ser feitas por profissionais treinados e nos casos de tumores que podem ser completamente removidos.

TORS é uma abordagem relativamente nova para remover tumores de áreas na garganta que são de difícil acesso, incluindo a base da língua, amigdalas e região supraglótica (parte mais superior da laringe). Estas áreas, juntamente com outras partes da orofaringe (palato mole, parede posterior da orofaringe), continuam a ser os principais locais tumorais para os quais é utilizada a TORS.

Enquanto quimioterapia e radiação são freqüentemente usados ​​para cânceres neste local, a cirurgia ainda é uma opção. Infelizmente, sem TORS, a cirurgia necessária pode ser bastante invasiva, incluindo dividir a mandíbula (mandibulotomia) para se obter uma melhor exposição a orofaringe. No entanto, estes procedimentos mais invasivos ainda são necessários, especialmente para tumores recorrentes ou tumores extremamente grandes que envolvem várias partes da boca e garganta que requerem reconstrução imediata.

 

Preparação para a cirurgia Robótica

Seu médico e equipe de atendimento lhe informará o que você precisa fazer para se preparar para a cirurgia. Em geral, você não deve comer ou beber nada (exceto medicamentos essenciais) nas últimas 8horas que antecedem a cirurgia. Deve informar o seu médico se tiver febre, tosse produtiva ou quaisquer outros sinais de infecção.

Se fizer uso de medicações que interfiram na coagulação do sangue, como aspirina, Xarelto, Marevan®, Ginko biloba®, ou outros anticoagulantes, estes devem ser interrompidos dias antes do procedimento.

O que esperar

Você será colocado completamente para dormir com anestesia geral.

Uma vez que você está dormindo, o cirurgião e equipe vão posicionar o equipamento robótico para obter uma boa exposição do tumor. Instrumentos especiais e retractores serão colocados em sua boca para expor a área da lesão. Na verdade, esta é uma parte importante da cirurgia, porque uma boa exposição é essencial para proporcionar uma ressecção cirúrgica adequada.

 

A sala de configuração deve ser algo como isto:

Você vai notar que seu cirurgião está sentado longe de você no console cirúrgico. A partir desse console, o seu cirurgião é capaz de controlar os braços do robô com grande precisão a partir da visão tridimensional em seu console. O assistente está na cabeceira da cama, ajudando com instrumentos adicionais, sucção e tudo o mais pode ser necessário.

Uma vez que a exposição é alcançada, a câmera está no lugar e os braços cirúrgicos do robô estão em boa posição dentro da boca, o cirurgião, em seguida, prossegue com a operação.

Após o tumor ser removido, o cirurgião enviará as margens para análise de congelação imediatamente para ver se há células cancerosas ao longo da margem da ressecção. Uma vez que as margens são relatadas como livres, a cirurgia é considerada completa. Na maioria dos casos, não há nenhuma reconstrução necessária, como os tecidos são deixados para cicatrizar por segunda intenção (cicatrização espontânea).

Alguns cirurgiões realizarão uma dissecção do pescoço (esvaziamento cervical ou linfadenectomia) durante a mesma cirurgia (se for indicada como parte do seu tratamento). Outros vão esperar uma a duas semanas e trazê-lo de volta para a abordagem do pescoço. Uma traqueostomia ou tubo de alimentação gástrica podem ser necessários como parte desta cirurgia nos casos muito extensos ou envolver parte da laringe, mas na maioria dos casos não são necessários. O seu médico irá falar com você sobre quaisquer procedimentos que podem ser associados antes da cirurgia.

No final do procedimento, você vai acordar da anestesia e ser levado para a sala de recuperação anestésica.

 

Recuperação e pós-tratamento

O curso de recuperação e internação dependerá da extensão da cirurgia e de quão bem você é capaz de comer e beber após a cirurgia.

Depois de uma curta estadia na sala de recuperação, você deve ser liberado para o quarto do hospital. Alguns casos pode ser necessária uma observação em unidade de terapia intensiva (UTI). Você será observado para quaisquer sinais de complicações (como sangramento). Sua dor será gerenciada com a ajuda das enfermeiras. O seu médico irá informá-lo quando estiver tudo bem para você começar a beber e comer um pouco. Sair da cama precocemente para se movimentar ajudará na sua recuperação.

Uma vez que seus médicos determinam que você não precisa mais de cuidados intra-hospitalares, você estará pronto para a alta.

 

Riscos

Como acontece com qualquer procedimento, existem riscos que você precisa estar ciente. O risco exato irá variar dependendo da extensão e tipo de cirurgia que você sofre:

  • Hemorragia, incluindo hematoma: Se houver hemorragia grave após o procedimento, o cirurgião pode precisar levá-lo rapidamente de volta para a sala de operações para parar o sangramento.
  • Infecção: há sempre risco de uma infecção após a cirurgia, particularmente se a ressecção do tumor da boca ou garganta estiverem associadas com procedimentos adicionais que podem comunicar com o pescoço. Isso pode exigir antibióticos.
  • Dificuldade em falar: A extensão da sua fala pode ser afetada na dependencia de quanto e que parte da língua é removida. Você pode trabalhar com um fonoaudiologo para melhorar suas funções de fala e deglutição.
  • Disfagia ou dificuldade em engolir: A extensão em que sua deglutição é afetada dependerá de quanto e que parte da língua ou da faringe é removida. Você pode trabalhar com um fonoaudiologo para melhorar suas funções de fala e deglutição.
  • Fístula salivar: Isso significa que a saliva está vazando da boca até o pescoço. Para evitar este problema alguns cirurgiões optam por atrasar a dissecção do pescoço durante algumas semanas após o procedimento TORS. As chances desta complicação aumenta se você tiver tido tratamento prévio incluindo radiação e / ou quimioterapia. Isso ocorre porque a cicatrização de feridas pode ser prejudicada nesses casos. Tratamento típico para isso é colocar um dreno para desviar a saliva de estruturas críticas no pescoço e aguardar a cicatrização conta própria. Em alguns casos, um procedimento cirúrgico adicional pode ser necessário para fechar o vazamento, com a confecção de retalhos musculares ou miocutâneos.