Sempre que o Cirurgião de Cabeça e Pescoço indica tratamento cirúrgico, independente de qual patologia e do tipo da cirurgia, alguns cuidados devem ser tomados para minimizar o risco de complicações no período pré-operatório.

Geralmente, além dos exames de imagem realizados para avaliação mais detalhada da patologia apresentada pelo paciente, outros exames são realizados para avaliar o estado de saúde do paciente, e se o mesmo apresenta condições clínicas de ser submetido ao tratamento proposto.

EXAMES COMPLEMENTARES

De maneira geral, quando se realiza uma anamnese (historia clinica) detalhada, e um exame físico completo, poucos exames complementares seriam necessários. Mas, para que nenhuma alteração do estado de saúde do paciente passe despercebida, principalmente aquelas que possam interferir e trazer algum risco para a realização da cirurgia, alguns exames complementares sempre são realizados.

Geralmente são solicitados exames de sangue (hemograma completo, exames de função renal, glicemia e provas de coagulação do sangue), radiografia de tórax e eletrocardiograma. Para pacientes que apresentem alguma comorbidade associada, outros exames podem ser solicitados, como ecocardiograma e/ou teste ergométrico para pacientes cardiopatas,  espirometria (exame que avalia a função pulmonar) para pacientes com patologias pulmonares, exames de função hepática para pacientes com patologias hepáticas, entre outros. Desta forma, a solicitação de exames complementares devem ser sempre individualizada e de forma racional.

CONSULTAS COM OUTROS PROFISSIONAIS

Sempre que possível e necessário, uma consulta pré-operatória com um profissional de Cardiologia e/ou Anestesia, pode ser realizada, para que seja minimizado qualquer risco de complicação clínica no período peri-operatório. Para pacientes que apresentem outras comorbidades significativas (cardiopatias, pneumopatias, hepatopatias, nefropatias, entre outras), uma avaliação do seu médico especialista é essencial para que recomendações de cuidados específicos a cada patologia seja orientada por este profissional, e seguida pela equipe que realizará o procedimento cirúrgico.

JEJUM PRÉ-OPERATÓRIO

Na maioria dos casos, é necessário um período de jejum pré-operatório, de cerca de oito horas. Este período de jejum se faz necessário para que seja garantido que o estômago esteja vazio, e desta forma seja bastante reduzido o risco de uma eventual broncoaspiração durante a indução anestésica. Esta recomendação baseia-se no fato de que alguns pacientes podem apresentar vômito ou refluxo do conteúdo gástrico durante a indução anestésica, e desta forma o conteúdo deste vômito/refluxo pode ser aspirado para as vias aéreas inferiores (brônquios e pulmão) no momento da anestesia, causando broncopneumonia e até quadros de insuficiência respiratória.

Atualmente encontramos algumas discussões sobre se períodos menores do que oito horas possam ser suficientes para garantir o esvaziamento gástrico, sendo aceito por alguns pesquisadores que a ingestão de líquidos finos e claros possa ser realizada, em pequenas quantidades (< 150ml), até 2-3 horas antes do procedimento. Porém, para pacientes que apresentem retardo do esvaziamento gástrico, como idosos, diabéticos, pacientes com patologias gastrintestinais, ou neurológicas, sempre se deve manter o período mais prolongado de jejum.

TRICOTOMIA

A realização de tricotomia (aparar os pelos/barba) se faz necessário sempre que o local a ser operado apresente pelos em excesso. Este procedimento geralmente é realizado na sala cirúrgica, minutos antes do procedimento. Para pacientes do sexo masculino que usam barba (e a mesma esteja no local a ser realizado o procedimento), sugerimos que o paciente apare a barba antes da internação no hospital.

MEDICAMENTOS ESPECIAIS

Alguns medicamentos, que podem ser de uso regular pelos pacientes que serão submetidos a cirurgia, devem ser suspensos ou trocados antes do procedimento. Este é o caso de medicamentos anti-coagulantes, como a varfarina (sendo o mais conhecido o Marevan®), o qual deve ser suspenso de cinco a sete dias antes da cirurgia, e substituído por heparina de baixo peso molecular. Medicamentos anti-agregantes plaquetários, como o ácido acetil-salicílico, devem ser suspensos sete dias antes da cirurgia, para reduzir risco de sangramentos. Medicamentos hipoglicemiantes orais (como a Metformina, Glifage®, Daonil®, entre outros), utilizados por pacientes diabéticos, também devem ser suspensos na noite anterior a cirurgia, para evitar quadros de hipoglicemia grave.

Medicamentos usados para controle da pressão arterial, assim como hormônio tireoidiano, devem ser continuados, inclusive no dia do procedimento, de preferência sendo ingeridos com pequena quantidade de água.