EFEITOS COLATERAIS DA QUIMIOTERAPIA PARA CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO

A quimioterapia para o câncer de cabeça e pescoço é utilizada junto aos cuidados suportivos para a maioria dos pacientes com metástase ou câncer recorrente de cabeça e pescoço avançado. A escolha da terapia sistêmica específica é influenciada pelo tratamento prévio do paciente com agentes quimioterapêuticos e a abordagem geral para preservar os órgãos afetados. Os cuidados suportivos incluem a prevenção da infecção devido à supressão severa da medula óssea e à manutenção de nutrição adequada. As opções terapêuticas incluem o tratamento com um único agente e regimes combinados com quimioterapia citotóxica convencional e/ou agentes alvos moleculares, combinados com cuidados suportivos.

A quimioterapia é administrada em ciclos, alternando entre períodos de tratamento e repouso. O tratamento pode durar vários meses, ou mesmo mais tempo. Um website que lista todos os agentes quimioterápicos e seus efeitos colaterais é o: http://www.tirgan.com/chemolst.htm Medicamentos quimioterápicos que geralmente são administrados por via intravenosa, funcionam em todo o corpo, interrompendo o crescimento das células cancerosas.

A quimioterapia para o tratamento de câncer de cabeça e pescoço geralmente é administrada ao mesmo tempo que a radioterapia e é conhecida como quimiorradioterapia. Pode ser administrado como quimioterapia adjuvante ou como quimioterapia neoadjuvante. A quimio adjuvante é utilizada para o tratamento após a cirurgia para reduzir o risco de retorno do câncer e para matar as células que possam ter se espalhado. A quimioterapia neoadjuvante é administrada antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor, facilitando assim a remoção.

A quimioterapia administrada antes do tratamento de quimiorradioterapia é conhecida como quimioterapia de indução.

EFEITOS COLATERAIS DA QUIMIOTERAPIA

© Marcos Adegas

A natureza e o tipo de possíveis efeitos colaterais da quimioterapia dependem do indivíduo. Alguns têm poucos efeitos colaterais, enquanto outros têm mais. Muitas pessoas não experimentam efeitos colaterais até o final de seus tratamentos; para muitos indivíduos, esses efeitos colaterais não duram muito. A quimioterapia pode, no entanto, causar vários efeitos colaterais temporários. Embora estes possam ser piores com a radioterapia combinada, geralmente desaparecem gradualmente após o término do tratamento. Os efeitos colaterais dependem do(s) agente(s) quimioterápico(s) usado(s). Eles ocorrem porque as drogas de quimioterapia funcionam matando todas as células que crescem ativamente. Estas incluem células do trato digestivo, folículos pilosos e medula óssea (que produz glóbulos vermelhos e brancos), bem como as células cancerosas.

Os efeitos colaterais mais comuns são náusea, vômitos, diarréia, feridas na boca (mucosite) (resultando em problemas de deglutição e sensibilidade na boca e garganta), aumento da suscetibilidade à infecção, anemia, perda de cabelo, fadiga geral, dormência na mãos e pés, perda de audição, danos nos rins, problemas de sangramento, mal-estar e problema de equilíbrio. Um oncologista ou outro médico especialista avaliam e tratam esses efeitos colaterais. Os efeitos colaterais mais comuns incluem:

Resistência reduzida à infecção

A quimioterapia pode reduzir temporariamente a produção de glóbulos brancos (neutropenia), tornando o paciente mais suscetível a infecções. Esse efeito pode começar cerca de sete dias após o tratamento e o declínio na resistência à infecção é máximo geralmente cerca de 10-14 dias após a quimioterapia ter terminado. Nesse ponto, as células sanguíneas geralmente começam a aumentar de forma constante e retornam ao normal antes do próximo ciclo de quimioterapia ser administrado. Sinais de infecção incluem febre acima de 38°C e/ou sensação de mal-estar. Antes de retomar a quimioterapia, exames de sangue são realizados para assegurar que a recuperação dos glóbulos brancos tenha ocorrido. A administração adicional de quimioterapia pode ser adiada até a recuperação das células sanguíneas.

Infecção ou sangramento

A quimioterapia pode promover hematomas ou hemorragias porque os agentes administrados reduzem a produção de plaquetas que ajudam a coagulação do sangue. Sangramentos nasais, manchas de sangue ou erupções cutâneas e sangramento das gengivas podem ser sinais de que isso ocorreu.

Anemia

A quimioterapia pode causar anemia (baixo número de glóbulos vermelhos). O paciente geralmente se sente cansado e sem fôlego. Anemia grave pode ser tratada por transfusões de sangue ou medicamentos que promovam a produção de células vermelhas.

Perda de cabelo

Alguns agentes de quimioterapia causam perda de cabelo. O cabelo quase sempre cresce de volta ao longo de um período de 3 a 6 meses, uma vez que a quimioterapia tenha terminado. Enquanto isso, pode-se usar uma peruca, uma bandana, um chapéu ou um lenço.

Feridas e pequenas úlceras bucais

Alguns agentes de quimioterapia causam feridas bucais (mucosite) que podem interferir com a mastigação e deglutição, causar hemorragia oral, dificuldade em deglutição (disfagia), desidratação, azia, vômitos, náuseas e sensibilidade a alimentos salgados, picantes e quentes/frios. Esses agentes também podem causar úlceras na cavidade bucal (estomatite) relacionadas à quimioterapia que resultam em dificuldade de comer. As náuseas e vômitos podem ser tratados com drogas anti-náuseas (anti-eméticas). Bochechos regulares também podem ajudar. Esses efeitos colaterais podem afetar a deglutição e a nutrição. Consequentemente, é importante complementar a dieta com bebidas nutritivas ou sopas. A orientação de um nutricionista pode ser útil para manter uma nutrição adequada. Os agentes citotóxicos mais frequentemente associados aos sintomas orais, faríngeos e esofágicos da dificuldade de deglutição (disfagia) são os antimetabólitos como metotrexato e fluorouracil. As quimioterapias radiossensibilizadoras, projetadas para aumentar os efeitos da radioterapia, também aumentam os efeitos colaterais das mucosites durante a radiação.

Cansaço (fadiga)

A quimioterapia afeta diferentes indivíduos de diferentes maneiras. Algumas pessoas são capazes de levar uma vida normal durante o tratamento, enquanto outras podem descobrir que ficam muito fracas e cansadas (fadiga) e precisam levar as coisas mais devagar. Qualquer droga quimioterápica pode causar fadiga. Pode durar alguns dias ou persistir até a conclusão do tratamento e além dela. Drogas como a vincristina, a vinblastina e a cisplatina muitas vezes causam fadiga. Os fatores que contribuem para a fadiga são a anemia, a diminuição da ingestão de alimentos e líquidos, os medicamentos, hipotireoidismo, dor, estresse, depressão e falta de sono (insônia) e repouso.

O descanso, a conservação de energia e a correção dos fatores contribuintes acima podem melhorar a fadiga. Mais informações podem ser encontradas no site do Instituto Nacional do Câncer Norte-Americano em: http://www.cancer.gov/cancertopics/pdq/supportivecare/oralcomplications/Patient/page5

2019-12-06T18:16:18+00:00