EFEITOS COLATERAIS DA RADIOTERAPIA PARA CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO

A radioterapia (RT) é freqüentemente usada para tratar câncer de cabeça e pescoço. O objetivo da RT é matar células cancerosas. Como essas células se dividem e crescem a um ritmo mais rápido do que as células normais, elas são mais propensas a serem destruídas pela radiação. Em contraste, embora possam ser danificadas, as células saudáveis geralmente se recuperam. Se a RT for recomendada, o radioterapeuta estabelece um plano de tratamento que inclui a dose total de radiação a ser administrada, o número de sessões a serem feitas e sua programação.

Tudo baseado no tipo e localização do tumor, na saúde geral do paciente e em outros tratamentos presentes ou passados. Os efeitos colaterais da RT para o câncer de cabeça e pescoço são divididos em precoce (agudos) e de longo prazo (crônicos).

Os efeitos colaterais precoces ocorrem durante o tratamento e no período imediatamente pós-terapia (aproximadamente 2-3 semanas após a conclusão de um tratamento de RT). Os efeitos crônicos podem se manifestar a qualquer momento, de semanas a anos mais tarde.

Os pacientes geralmente ficam mais incomodados com os efeitos precoces da RT, embora estes geralmente se resolvam ao longo do tempo. No entanto, como os efeitos de longo prazo podem exigir cuidados ao longo da vida, é importante reconhecê-los para preveni-los e/ou lidar com suas conseqüências. O conhecimento dos efeitos colaterais da radiação pode permitir sua detecção precoce e controle adequado. Os indivíduos com câncer de cabeça e pescoço devem receber aconselhamento sobre a importância da cessação do tabagismo. Além do fato de que o tabagismo é um grande fator de risco para o câncer de cabeça e pescoço, o risco de câncer em fumantes é reforçado pelo consumo de álcool. O tabagismo também pode influenciar o prognóstico do câncer.

Quando o tabagismo é mantido durante e após a RT, pode aumentar a gravidade e a duração das reações mucosas, agravar a boca seca (xerostomia) e comprometer os resultados do paciente. Os pacientes que continuam a fumar enquanto recebem RT têm uma taxa de sobrevida no longo prazo mais baixa do que aqueles que não fumam.

EFEITOS COLATERAIS INICIAIS

Os efeitos colaterais iniciais incluem inflamação da mucosa orofaríngea (mucosite), deglutição dolorosa (odinofagia), dificuldade de deglutição (disfagia), rouquidão, falta de saliva (xerostomia), dor orofacial, dermatite, náuseas, vômitos e perda de peso. Essas complicações podem interferir e atrasar o tratamento. Até certo ponto, esses efeitos colaterais ocorrem na maioria dos pacientes e geralmente se dissipam ao longo do tempo. A gravidade desses efeitos colaterais é influenciada pela quantidade e método pelo qual a RT é administrada, a localização e disseminação do tumor e a saúde e hábitos gerais do paciente (isto é, continuar o tabagismo e o consumo de álcool).

Danos à pele

A radiação pode produzir danos similares aos causados pela queimadura solar na pele, o que pode ser agravado pela quimioterapia. É aconselhável evitar a exposição a possíveis irritantes químicos, sol direto e vento e a aplicação local de loções ou pomadas antes da RT que possam alterar a profundidade de penetração de radiação. Há uma série de produtos de cuidados da pele que podem ser usados durante o tratamento de radiação para lubrificar e proteger a pele.

Boca seca

A perda de produção de saliva (ou xerostomia) está relacionada à dose de irradiação administrada e ao volume de tecido salivar irradiado. Beber líquidos adequados e enxaguar e fazer gargarejo com uma fraca solução de sal e bicarbonato de sódio são úteis para refrescar a boca, amolecer as grossas secreções orais e aliviar a dor leve. A saliva artificial e a hidratação constante da boca com água também podem ser úteis.

Alterações no paladar

A radiação pode induzir a mudanças no paladar e dor na língua. Tais efeitos colaterais podem diminuir ainda mais a ingestão de alimentos. O paladar alterado e a dor da língua gradualmente se dissipam na maioria dos pacientes durante um período de seis meses, embora em alguns casos a recuperação do paladar seja incompleta. Muitos indivíduos experimentam uma alteração permanente em seu paladar.

Inflamação da mucosa orofaríngea (mucosite)

A radioterapia, bem como a quimioterapia, danifica a mucosa orofaríngea, resultando em mucosite que se desenvolve gradualmente, geralmente duas a três semanas após o início da RT. Sua incidência e gravidade dependem do campo, da dose total e da duração da RT. A quimioterapia pode agravar a condição. A mucosite pode ser dolorosa e interferir com a ingestão de alimentos e nutrição.

O controle inclui higiene bucal meticulosa, modificação dietética e anestésicos tópicos combinados com antiácidos e suspensão antifúngica (“coquetel”). Devem ser evitados alimentos picantes, ácidos, azedos ou quentes, bem como todo o tipo de bebida alcoólica. As infecções secundárias bacterianas, virais (por exemplo, Herpes) e fúngicas (por exemplo, Cândida) são possíveis. Pode ser necessário o controle da dor (usando opiáceos ou gabapentina).

A mucosite pode levar a deficiência nutricional. Aqueles que experimentem perda significativa de peso ou episódios recorrentes de desidratação podem exigir a alimentação através de uma sonda de alimentação enteral.

Dor orofacial

A dor orofacial é comum em pacientes com câncer de cabeça e pescoço e ocorre em até a metade dos pacientes antes da RT, em 80% dos pacientes durante o tratamento e, em cerca de um terço dos pacientes, seis meses após o tratamento. A dor pode ser causada por mucosite que pode ser agravada por quimioterapia simultânea e por danos causados pelo câncer, infecção, inflamação e cicatrizes devido a cirurgia ou outros tratamentos. O controle da dor inclui o uso de analgésicos e narcóticos.

Náusea e vômitos

A RT pode causar náuseas. Quando isto ocorre, geralmente acontece de duas a seis horas após uma sessão de RT e geralmente dura cerca de duas horas. A náusea pode ou não ser acompanhada por vômitos.

O gerenciamento inclui:

  • Fazer refeições pequenas e freqüentes ao longo do dia, em vez de três grandes refeições. A náusea geralmente é pior se o estômago estiver vazio.
  • Comer devagar, mastigando completamente a comida e permanecendo relaxado.
  • Comer alimentos frios ou em temperatura ambiente. O cheiro de alimentos quentes ou mornos pode induzir náuseas.
  • Evitar alimentos difíceis de digerir, como alimentos picantes ou alimentos ricos em gordura ou acompanhados de molhos gordurosos.
  • Descansar após comer. Ao deitar, a cabeça deve ficar elevada em cerca de 30 centímetros.
  • Tomar bebidas e outros fluidos entre as refeições em vez de ingerir bebidas com as refeições.
  • Beber 6 copos de 240ml de líquidos por dia para evitar a desidratação. As bebidas frias, cubos de gelo, picolés ou gelatina são adequados.
  • Comer mais alimentos no momento do dia em que se está com menos náusea.
  • Informar o profissional de saúde antes de cada sessão de tratamento quando se desenvolver náusea persistente.
  • Tratar vômitos persistentes imediatamente, pois isso pode causar desidratação.

O vômito persistente pode resultar em perda de grande quantidade de água e nutrientes no corpo. Se o vômito persistir por mais de três vezes por dia e não houver ingestão suficientes de líquidos, pode levar à desidratação. Esta condição pode causar complicações graves se não for tratada.

Os sintomas da desidratação incluem:

  • Pequena quantidade de urina
  • Urina escura
  • Frequência cardíaca rápida
  • Dores de cabeça
  • Pele avermelhada e seca
  • Língua seca
  • Irritabilidade e confusão

O vômito persistente pode reduzir a eficácia dos medicamentos. Se o vômito persistente continuar, a RT pode ser interrompida temporariamente. Liquidos administrados por via intravenosa ajudam o organismo a recuperar nutrientes e eletrólitos.

Cansaço (fadiga)

A fadiga é um dos efeitos colaterais mais comuns da RT. A RT pode causar fadiga cumulativa (fadiga que aumenta ao longo do tempo). Geralmente dura de três a quatro semanas após o tratamento terminar, mas pode continuar até dois a três meses. Os fatores que contribuem para a fadiga são anemia, diminuição da ingestão de alimentos e líquidos, medicamentos, hipotireoidismo, dor, estresse, depressão e falta de sono (insônia) e de descanso. Descanso, conservação de energia e correção dos fatores contribuintes acima podem melhorar a fadiga.

2019-10-18T20:23:33+00:00