A atividade física realizada frequentemente,  é reconhecidamente benéfica na prevenção e tratamento de várias doenças: hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas, depressão e outras. Essa prática também é benéfica na prevenção de alguns tipos de câncer e também para amenizar efeitos colaterais do tratamento.

Vários trabalhos já foram publicados na área da medicina e, baseados em evidências, vêm respondendo algumas perguntas, que muitas vezes deixam o paciente em dúvida na realização de qualquer exercício físico.

O esporte evita o aparecimento do câncer?

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) em parceria com o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer (WCRF) concluiu que exercícios físicos e alimentação saudável, além de evitar a obesidade, pode prevenir 19% dos casos de câncer. Essa relação está baseada no fato de que células gordurosas em excesso aumentam a produção de fatores que causam a inflamação e, a partir daí, contribuem para o desenvolvimento de células cancerígenas.

Com relação ao câncer de pulmão, um estudo americano demonstrou que mulheres praticantes de atividade física tiveram chance 23% menor de desenvolver câncer de pulmão, sendo de 28% entre as fumantes e 37% entre as ex-fumantes. A principal ressalva desse estudo é que o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão e, para evitá-lo, não fumar ainda é a melhor atitude. Podemos colocar esses índices também para o câncer de boca!

A obesidade e vida sedentária também está associada a um maior risco do desenvolvimento de câncer de mama, ovário, endométrio (camada interna do útero), intestino, entre outros.

Um trabalho europeu publicado este ano com mais de 330.000 pessoas, mostrou uma redução em até 30% de todas as causas de morte em pessoas que praticam atividades físicas.

 

Os pacientes em tratamento podem praticar esportes?

Cada paciente com câncer deve ser avaliado individualmente e, se o mesmo estiver em condições físicas adequadas, a prática de exercícios deve ser estimulada,  para melhorar não só suas condições clínicas como a sua autoestima e sua qualidade de vida. Os exercícios físicos promovem um aumento da circulação, da respiração e da depuração de substâncias tóxicas do organismo. Isso já traz benefícios em pacientes que passam por esses tratamentos.

A fadiga, queixa frequente entre esses pacientes, é o principal obstáculo para iniciar ou manter uma atividade física. Mas é justamente um pouco de exercício físico (respeitando as limitações do paciente) que vai diminuir esse e outros sintomas. As orientações sobre o repouso e redução de atividades físicas só valem se o movimento causar dor, aumento significativo da frequência cardíaca ou falta de ar.

O repouso em excesso pode causar atrofia muscular, além de reduzir a amplitude dos movimentos do paciente.

A caminhada, por exemplo, é um exercício aeróbico bastante seguro e sem custos, que melhora o sistema vascular, combate o colesterol ruim, aumenta a densidade óssea e ainda ajuda a elevar a autoestima, por liberar hormônios relacionados a felicidade e sensação de bem-estar. Além disso, ao caminhar em espaços públicos como parques e praças, podemos aproveitar esse momento para relaxar, deixando as preocupações rotineiras de lado.

Converse com o seu médico sobre a possibilidade de iniciar uma atividade física que seja agradável e de fácil acesso, assim fica simples dar o primeiro passo. Mas não esqueça de pedir orientação de um profissional!