As glândulas salivares são estruturas formadas por tecidos especializados em produzir e excretar saliva, a qual tem as funções de iniciar o processo da digestão de alguns alimentos, além de proporcionar a lubrificação e higienização da cavidade oral. Podemos didaticamente dividir as glândulas salivares em “maiores” e “menores”. As glândulas salivares consideradas maiores são as parótidas (que se localizam na região anterior e inferior a orelha), as submandibulares e as sublinguais. As glândulas salivares menores geralmente não são visíveis e se distribuem por toda a mucosa da boca, garganta, fossas nasais e laringe.
As glândulas salivares podem originar neoplasias, tanto benignas quanto malignas. Porém, a incidência de câncer é baixa, com cerca de 1-2 casos para cada 100.000 habitantes. A incidência de tumores das glândulas salivares é maior nas glândulas parótidas, na qual a maioria (cerca de 60%) são neoplasias benignas. Dentre as neoplasias mais comuns, encontramos o adenoma pleomórfico e o tumor de Whartin. Apesar de ser benigno, o tumor mais comum – adenoma pleomórfico, sempre deve ser tratado, pois é descrito na literatura um risco entre 5 e 10% de transformação para neoplasia maligna (carcinoma).

Fatores de Risco das glândulas salivares

Diferente dos cânceres de boca e laringe, os quais têm no consumo de cigarro e bebidas alcoólicas suas principais causas, poucos fatores são descritos como causadoras do câncer das glândulas salivares. Encontramos trabalhos na literatura apontando alguns potenciais fatores de risco, como a exposição a irradiação, exposição e inalação crônica de pó de serra, exposições profissionais a algumas substâncias como níquel, sílica, borracha e nitrosaminas, infecção crônica por vírus Epstein-Barr, tabagismo, e, recentemente, tem se especulado sobre um potencial risco o uso excessivo de telefone celular, fator este considerado controverso.

Diagnóstico e estadiamento das glândulas salivares

O quadro clínico apresentado pela maioria dos pacientes são nódulos nas regiões das glândulas salivares, geralmente de caráter lentamente progressivo, de consistência variável (amolecidos ou endurecidos), na maioria das vezes sem dor associada. Em casos de tumores malignos de parótida, os pacientes podem apresentar redução da movimentação da face do lado afetado, que seria resultado da infiltração da doença no nervo facial, o qual é responsável pela movimentação dos músculos da face. Parte do trajeto do nervo facial, entre sua origem no tronco cerebral e os músculos efetores na face, ocorre dentro da glândula parótida e pode ser afetado diretamente pelo tumor.
O diagnostico se faz através de um bom exame clínico, por médicos especialistas em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, o que em alguns casos já é suficiente para indicar o tratamento. Porém, em alguns casos é necessário a realização de exames complementares, como exames de imagem e punções biópsias para melhor avaliação da lesão e definição terapêutica. Os exames mais solicitados são a ultrassonografia, tomografia computadorizada, ou a ressonância magnética. A indicação de cada método depende das informações que se pretende obter em cada caso específico. A punção diagnóstica mais realizada é a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), porém, pela grande diversidade de tipos histológicos diferentes de tumores das glândulas salivares, muitas vezes não se consegue obter o diagnóstico definitivo.

Tratamento das glândulas salivares

O tratamento mais utilizado para estes tumores é a cirurgia. A realização do procedimento cirúrgico por equipe de Cirurgia de Cabeça e Pescoço experiente e treinada é fator essencial para o sucesso do tratamento, principalmente para reduzir os riscos de complicações, principalmente em relação ao nervo facial. Em alguns casos de tumores malignos, se faz necessária a complementação com radioterapia. A quimioterapia não tem papel curativo neste tipo de neoplasia, mas pode ser usada em alguns casos selecionados, geralmente com intuito paliativo.