A laringe é o órgão onde se localizam as pregas (cordas) vocais, as quais são as responsáveis pela produção da voz. Didaticamente dividimos a laringe em três subregiões: glote (região onde se encontram as cordas vocais), supraglote (região acima das cordas vocais) e subglote (localizada inferiormente as cordas vocais).

O câncer de laringe pode ocorrer em qualquer uma destas subregiões, mas é mais frequente na região glótica, seguida da supraglote. Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer, o câncer da laringe corresponde ao oitavo tipo de câncer mais comum na população masculina no Brasil, com cerca de 6.110 casos estimados em 2012.

Fatores de Risco da Laringe

Assim como as neoplasias malignas da boca, os principais fatores de risco para esta doença é o consumo de tabaco, álcool. Também são considerados fatores de risco o refluxo gastro-esofágico, e infecção por HPV. A poluição indoor, exposição profissional com inalação crônica, de algumas substâncias consideradas carcinogênicas (como pó e fumaça de carvão, asbesto e ácido sulfúrico) também são considerados fatores de risco. Outros estudos também já mostraram taxas de incidência maior em cidades industrializadas quando comparadas as áreas rurais, sendo que a poluição pode ser um dos fatores associados a estes achados.

Sinais e Sintomas da laringe

Os sinais e sintomas dependem principalmente da localização das lesões, sendo que nas lesões glóticas (cordas ou pregas vocais), a rouquidão persistente e progressiva é o sintoma mais comum. Nas lesões supraglóticas, geralmente os sintomas estão mais relacionados a deglutição (dor para deglutir, ou engasgos frequentes). Raros casos ocorrem na região subglótica, sendo que nesta situação, o sintoma mais frequente é a falta de ar (dispneia). A medida em que a doença apresenta crescimento progressivo, os sintomas se somam e pioram o quadro clínico do paciente.

Diagnóstico e estadiamento da laringe

O diagnóstico clínico é realizado através da visualização da laringe, que pode ser feita de maneira indireta (espelho de Garcia, videolaringoscopia ou nasofibrolaringoscopia) ou direta (sob anestesia). O exame mais utilizado em consultório é a nasofibrolaringoscopia, a qual é realizada através da introdução de uma microcâmera pela cavidade nasal e que permite a visualização completa da laringe, e propicia a documentação da lesão para eventual controle evolutivo.

A confirmação do diagnóstico sempre se faz necessária através de biópsia, a qual pode ser realizada ambulatorialmente através da nasofibrolaringoscopia (nos aparelhos que possuem canal para biópsia), ou através da laringoscopia de suspenção, a qual é feita sob narcose em ambiente hospitalar.

Após a confirmação do diagnóstico, sempre deve ser realizado o completo estadiamento da doença (avaliar a extensão completa da lesão), o que geralmente é feito com exames de imagem (preferencialmente por tomografia computadorizada). Sempre realizamos uma imagem do pulmonar, através de uma radiografia simples ou tomografia computadorizada, pelo risco de metástase como pelo risco de um segundo tumor primário em pulmão (já que a maioria dos pacientes são tabagistas, e o consumo de tabaco também é o principal fator de risco para as neoplasias pulmonares). Outros exames podem ser realizados na dependência de outros sinais e sintomas dos pacientes.

Tratamento da laringe

O tratamento vai depender de uma série de fatores, sendo os principais a extensão da doença, a localização na laringe, a experiência da equipe médica, disponibilidade de recursos (laser, cirurgia robótica, radioterapia) e também das condições clínicas e expectativas dos pacientes.

Lesões iniciais podem ser tratadas com cirurgia ou radioterapia. Lesões maiores, geralmente são tratadas de forma combinada: cirurgia seguida de radioterapia ou a associação de radioterapia e quimioterapia. Esta última (radio-quimioterapia) têm sido indicada em casos selecionados de pacientes que seriam candidatos a remoção de grande parte ou toda a laringe, com a intenção de preservação anatômica e funcional do órgão.

O correto diagnóstico e estadiamento, assim como a indicação terapêutica por equipe experiente e em caráter multidisciplinar, são essenciais para que se obtenha a melhor chance de cura da doença e com os melhores resultados funcionais possíveis.

Reabilitação da laringe

A reabilitação, tanto da fala como da deglutição, dos pacientes tratados por câncer de laringe é um passo fundamental do tratamento destes pacientes. Neste contexto, a atuação do profissional da Fonoaudiologia se torna essencial.

Para os pacientes que necessitaram a remoção completa da laringe, a reabilitação da fala pode ser feita por uma das três principais maneiras: prótese traqueoesofágica (considerada a melhor – figura 1 e 2), voz esofágica e vibrador laríngeo (também chamada de “laringe eletrônica”). Cada um dos métodos apresenta suas vantagens e desvantagens, sendo que uma equipe experiente, tanto médica como fonoaudiológica, são essenciais para definir as melhores estratégias de reabilitação. Além da reabilitação da fala, o profissional da Fonoaudiologia também atuará nos processos de reabilitaçãoo da deglutição e olfação.