“A cirurgia está chegando. Como eu devo me preparar?”

Todo paciente que será submetido a um procedimento cirúrgico deve estar preparado, tanto do ponto de vista clínico, quanto emocional, principalmente nos casos de cirurgias de grande porte. Este preparo começa na própria consulta médica na qual a cirurgia foi indicada, onde o médico deve explicar o motivo da indicação do tratamento, assim como os riscos envolvidos em cada caso, e também deverá explicar o que se pode esperar para o período pós-operatório.

De uma maneira geral, quando o paciente é tratado por equipe médica experiente, geralmente o procedimento tem menores riscos de complicações, mas detalhes precisam ser esclarecidos, já que toda cirurgia envolve algum risco. Por isso, alguns cuidados dever ser tomados, já no período pré-operatório. O bom preparo pré-operatório é fundamental para o sucesso de qualquer procedimento cirúrgico.

IMPORTANTE: Os exames complementares deverão ser solicitados em circunstâncias particulares, baseados na idade do paciente, no tipo de cirurgia proposta e em alguma alteração no histórico médico do paciente.

E quais são os exames complementares?

Normalmente, os exames clínicos são realizados antes da cirurgia, mas para que tudo esteja completamente sob controle, é solicitado ao paciente alguns exames complementares, como:

* Sangue (hemograma completo, glicemia, função renal, eletrólitos e provas de coagulação sanguínea);

* Radiografia de Tórax;

* Eletrocardiograma (ECG).

Outros exames podem ser solicitados, caso tenha necessidade, o que é avaliado a cada caso.

Dieta (Jejum)

A restrição da dieta é decorrente do tipo de anestesia, da doença e do tipo de procedimento cirúrgico que será realizado. Para procedimentos sob anestesia geral, o jejum precisa ser de no mínimo oito horas, para que o estômago, vazio por esse período, não estimule à produção de secreção gástrica e o paciente não corra um risco maior de broncoaspiração durante a indução anestésica ou a intubação.

Pacientes obesos, gestantes, idosos ou com doenças gastrointestinais/neurológicas, têm maior risco de bronco aspiração e podem necessitar de jejum mais prolongado. Em algumas situações bem específicas, a ingesta de líquidos claros (ex. água) pode ser liberada em pequena quantidade (máximo 100ml) até três horas antes do procedimento, desde que autorizado pela equipe de anestesia (o que deve ser discutido caso a caso).

E quanto aos medicamentos?

Alguns remédios, de uso habitual, deverão ter seu uso suspenso.  Alguns podem ser substituídos temporariamente, como os anticoagulantes (já que têm vida média prolongada). Exemplo da Varfarina (Marevan®), que precisa ser suspenso de 5 a 7 dias antes da cirurgia e pode ser trocado pela Heparina.

O ácido acetil salicílico (AAS) é um medicamento chamado antiagregante plaquetário e deve ser suspenso de sete a dez dias antes da intervenção, a fim de reduzir algum risco de sangramento. A medicação “Ginkco Biloba” também deve ser suspensa de 5 a 7 dias antes por também aumentar o risco de sangramentos.

Paciente diabético deve suspender medicamentos hipoglicemiantes orais um dia antes do procedimento cirúrgico, para que este não corra risco de hipoglicemia grave.

Qualquer anti-inflamatório deve ser suspenso de um a dois dias antes.

Mas atenção! Os remédios usados para controle da pressão arterial, assim como o hormônio tireoidiano devem ser continuados, mesmo no dia da cirurgia, com a ingestão de pequena quantidade de água.

Tricotomia (aparação de pelos e barba)

A tricotomia é necessária quando o local a ser operado apresente excessos de pelos e barba. O ideal é que os pelos sejam aparados pouco antes do procedimento cirúrgico. Para pacientes do sexo masculino que usam barba, a sugestão é que esta seja aparada antes da internação no hospital.

Banho pré-operatório

Em algumas cirurgias onde próteses e órteses (p. ex. prótese mamaria, hastes/pinos metálicos em cirurgias ortopédicas), o banho com soluções anti-sépticas é indicada antes do procedimento cirúrgico. Nestes casos, geralmente a equipe médica orienta os pacientes sobre como e quando realizar estes banhos.

Consultas com especialistas clínicos

Pacientes que apresentem doenças cardiovasculares, pulmonares e/ou metabólicas crônicas, uma avaliação com o médico especialista (geralmente o próprio médico que já acompanha o paciente) pode ser útil para otimizar medicações e orientar algum cuidado peri-operatório que possa contribuir para a redução de complicações durante e após o procedimento cirúrgico.