Já é sabido que os principais fatores para o câncer de boca e orofaringe são o tabagismo e o alcoolismo.

Mas, nos últimos anos,  um outro fator tem sido considerado de risco: o sexo oral. O HPV (vírus do papiloma humano) pode provocar lesões de pele ou em mucosas, e tem uma afinidade particular por células da mucosa do pênis e da vagina. Este vírus apresenta mais de 100 subtipos, e pode causar a formação de lesões verrucosas em qualquer parte do corpo, sendo a principal causa das lesões verrucosas genitais. Alguns subtipos do HPV podem induzir as células hospedeiras a transformação maligna,  sendo que a infecção pelo HPV genital nas mulheres pode ser considerado o principal fator de risco para o câncer no colo do útero.

O câncer de boca é uma importante causa de mortalidade no Brasil. O carcinoma bucal vem ganhando uma posição de destaque, pois a estimativa da incidência de casos novos cresce a cada ano, tanto em pessoas do sexo masculino, como do sexo feminino. Além disso, infelizmente, no Brasil a maioria dos casos são diagnosticados tardiamente, quando o prognóstico é pior e a chances de cura tornam-se mais difíceis. Estima-se que cerca de 75% dos casos de câncer bucal sejam diagnosticados em fases avançadas. E, atualmente, grande parte dos casos são de pacientes jovens.

Mas como o sexo oral pode virar câncer?

É simples: do mesmo modo que o colo do útero, a boca também revestida por uma mucosa. No sexo oral, com parceiro(a) que apresente HPV genital, a boca entra em contato com fluidos e em contato direto com as lesões genitais que podem transmitir o HPV. O vírus pode se alojar nas células da boca e orofaringe e com o tempo podem induzir transformações celulares que podem evoluir para o câncer bucal. Nessas situações, o tumor ocorre na parte mais profunda da boca, conhecida como orofaringe (principalmente nas amigdalas e base da língua).

Na boca, a maioria das lesões aparece como pequenas verrugas que podem ter a cor da mucosa ou apresentar uma camada esbranquiçada.

No início, sua observação é difícil, mas depois, a lesão pode ser reconhecida devido a uma leve semelhança com uma pequenina couve-flor.

Por ser transmitida através de autocontaminação ou contato orossexual, a prevenção da doença é o melhor a se fazer, já que o tratamento de alguns tipos de HPV não consegue a eliminação total do problema. O uso de preservativo para sexo oral não é frequente, pois seu uso é mais relacionado como meio de prevenir gravidez apenas. A camisinha é o principal meio de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis. A camisinha não deve ser usada só para sexo convencional.

Uma notícia positiva é de que as vacinas que reduzem o risco de infecção por certos tipos de HPV já estão disponíveis, principalmente com o intuito de reduzir a incidência do câncer de colo de útero nas mulheres. Estas vacinas também podem ter o benefício de prevenir alguns tipos de câncer de orofaringe e boca, embora não haja evidência que elas tratem a doença. Vários estudos têm sugerido que a vacinação contra o HPV deva ser estendida aos meninos para que no futuro possamos reduzir também a incidência dos tumores de boca e orofaringe na população.

atorEm 2013, o ator americano Michael Douglas veio a público revelar que o câncer que teve na garganta, descoberto em 2010, foi causado por HPV. Ele foi diagnosticado tardiamente, já em estágio avançado. Mas conseguiu se livrar com o tratamento e desde 2011 está livre do câncer.

Ator Michael Douglas revelou que câncer na garganta foi causado por sexo oral.

Sintomas e Diagnóstico do Câncer de Boca

Diferente da maioria dos casos de câncer de boca e orofaringe causados por tabagismo e etilismo, os tumores induzidos por HPV geralmente apresentam tumores primários (local de origem dos tumores) pequenos mas já com metástases linfonodais (caroços no pescoço, endurecidos e de crescimento progressivo), as quais frequentemente podem ser os primeiros indícios da doença percebidos pelos pacientes.  As lesões primarias na boca e orofaringe geralmente se apresentam como lesões vegetantes ou ulceradas, sem sintomas significativos nas fases iniciais, mas nos casos mais avançados podem apresentar sintomas como dor de garganta constante, dificuldade e/ou dor para engolir e até sangramentos.

O autoexame da boca e garganta é importante. Basta olhar na frente do espelho e procurar manchas vermelhas, brancas, feridas e nodulos na região. Se detectado alguma alteração, o ideal é procurar um especialista, que pode ser o dentista ou o médico. O profissional experiente na área de oncologia e patologia bucal, pode diagnosticar ou suspeitar da doença com um simples exame clínico, o qual deverá ser confirmado através de uma biópsia.

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E como tratar então o Cancêr de Boca?

O câncer de boca, na maioria dos casos, deve ser tratado com cirurgia, seguida ou não de tratamento complementar com radioterapia ou radio-quimioterapia. Nas lesões de orofaringe, o tratamento também costuma ser cirúrgico nas fases iniciais e, em fases mais avançadas, o tratamento geralmente é feito com a combinação de radioterapia e quimioterapia. Nos casos cirúrgicos, sempre deve ser realizada a reconstrução imediata do defeito cirúrgico para minimizar as sequelas funcionais e estéticas. Felizmente, os tumores de orofaringe relacionados ao HPV, quando comparados àqueles provocados pelo fumo e álcool, respondem melhor à quimioterapia e à radioterapia e apresentam prognóstico mais favorável.